Os verdadeiros heróis brasileiros: pessoas com propósito de causar impacto social positivo.

No último dia 24 de novembro de 2017, tive o prazer de participar da banca final de análise de projetos de impacto social, que participavam do Projeto Legado, um programa do Instituto Legado, de capacitação e aceleração de iniciativas com propósitos social e/ou ambiental.

Este programa tem a duração de um ano e já está na sua quinta edição. Agora em 2017, foram 120 projetos inscritos, 40 selecionados e no final, a partir de pitchs dos idealizadores de cada projeto, são escolhidos 03, chamados de “a cereja do bolo”, que recebem cada um o investimento de R$ 10 mil para ser aplicado diretamente na evolução do próprio projeto.

Mas independente da “cereja do bolo”, não é clichê afirmar que todos são efetivamente vencedores.

Não posso negar que numa banca que analisa os pitchs de pessoas que largaram tudo, ou se dedicam quase que exclusivamente para a melhoria de condições de vida de outras pessoas, tem uma carga emocional intensa. E é muito difícil não se emocionar com cada história, com cada lágrima escorrida durante parte dos 10 minutos em que precisam defender seus projetos e apresentar dados concretos de impacto sobre o que cada um se propõe.

Sou co-Diretor do capítulo Curitiba do Founder Institute, e lido com start-ups e seus empreendedores e empreendedoras dos mais variados segmentos e níveis. Pregamos e incentivamos no FI a resiliência, o comprometimento, o foco, a dedicação, a energia, ou seja, tudo que a pessoa precisa para lançar sua empresa no mercado. E como faz parte da metodologia, de todos que começam um programa, apenas 10 a 15% terminam, ou seja, se graduam no Founder Institute. E os motivos pelos quais alguns não terminam é que não estão prontos para lançar suas startups naquele momento, ou não tem realmente o perfil para liderar uma empresa, ou não tem efetivamente o propósito de fazer a diferença no mundo.

E o que vi neste período em que acompanhei o Projeto Legado, na condição de Conselheiro, e as iniciativas e pessoas participantes, é que a palavra “desistir” não existe no vocabulário. Aquelas pessoas, que dedicam todo seu tempo, alguns os próprios recursos, para que possam promover, por exemplo, atenção todos os sábados para 40 crianças em situação de risco, são verdadeiros heróis de nosso país. Aquelas pessoas já estão com seus projetos em ação, até porque a condição para participação no Projeto Legado é que as iniciativas já estejam em funcionamento e atuando de forma concreta. E por se tratarem de projetos que tenham em seu DNA o impacto social e ambiental profundo, o propósito de fazer realmente a diferença no mundo está completamente integrado a vida da pessoa que está liderando cada iniciativa.

Não estou aqui comparando os dois perfis de pessoas, como citado acima, muito pelo contrário.

O raciocínio que estou fazendo é que a grande diferença entre um projeto de sucesso ou não, seja uma startup de tecnologia que mira ser vendida por 10 milhões de dólares, ou um barco que leva atendimento odontológico para pessoas em lugares distantes, sem auxílio (até mesmo esquecidas) do governo, é o PROPÓSITO!!

Mas o propósito legítimo, aquele que fala ao coração, que move o corpo, tira da inércia. E a “cereja do bolo” é quando este propósito é efetivamente o impacto positivo, junto a pelo menos uma única outra pessoa.

Por isto, que afirmo: todas as pessoas que tem este chamado, sentem dentro de si esta energia transformadora de nossa sociedade, precisam mesmo serem reconhecidas como Heroínas!!

Você já deve ter percebido que estamos passando por uma profunda transformação em toda a nossa sociedade, sobretudo aqui no Brasil. Portanto, defendo e acredito que devemos apoiar e incentivar qualquer pessoa que tenha, de maneira verdadeira e legítima, a energia e o propósito de atuar em transformações que impactem positivamente cada um de nós.

Faça a sua parte.